Ao fim de quase 2 meses da minha estadia no Perú, visitei
finalmente MP! Vontade nao me faltava, e curiosidade também nao, mas fui
adiando, adiando...Vou tentar descrever aqui a minha visita, mas nao há palavras nem fotos que possam verdadeiramente dar-vos uma ideia da magnificência deste lugar!
Saí de Urubamba na sexta 2 Novembro e apanhei o colectivo
para Ollanta. A estaçao fica um pouco fora da cidade, mas é bonitinha e tem um
bom café onde esperei pelo combóio. É lindo, azul com letras amarelas PERU RAIL.
A viagem em si é fascinante - passamos entre as montanhas, à beira rio e é
interessante verificar a mudança da vegetaçao, de escassa como é comum na
altitude, a luxuriante (cloud forest = floresta nublada, floresta de nevoeiro ou floresta de altitude).
Depois de 1 hora e meia chegamos a Águas Calientes, também conhecida
por MP Pueblo. O nome de Águas Calientes deriva, como devem imaginar, de uns
banhos termais que existem na cidade. A particularidade desta cidade é o
facto de nao haver carros a circular, isto porque nao há estrada até lá. É uma
cidade completamente isolada. O único trânsito é o dos mini autocarros,
que foram levados até lá de combóio e que transportam os turistas para e de MP.
Esta cidade é como um cartao postal, mas infelizmente, por ser muito turística,
é muito cara, uma garrafa de água custa 4 vezes mais que em Urubamba, e no café à entrada de MP é 8 vezes mais cara!
Sábado 3 Novembro acordei as 3.45. As 4.30 estava a caminho
do portao de entrada para pedestres, que dista cerca de 1km da cidade. Quando
lá cheguei, o portao ainda estava fechado, mas já havia bicha para entrar. O
portao abre mais cedo do que a ponte para os autocarros, para dar a
oportunidade aos que sobem pelas escadas de chegar lá acima mais ou menos ao
mesmo tempo que os preguiçosos que sobem de carro. Ainda estava um pouco escuro quando comecei a
subir, mas aqui amanhece rápidamente. Sao quase 2000 degraus, e a altitude torna o exercício muito mais
difícil. Mentiria se dissesse que foi fácil; nao foi, nem para mim nem para os outros,
muito mais novos que eu, que encontrei no caminho. Houve muitas paragens para
retomar o fôlego, mas cheguei lá acima!
A primeira vista que tive do local tirou-me o pouco fôlego
que me restava: as ruinas, com o Huayna Picchu atrás envolvido em nuvens! É um
local absolutamente fascinante e misterioso também, e as nuvens e a chuva que
caía ajudavam a criar o ambiente. Choveu quase toda a manha, embora com algumas
abertas, e por esse motivo, as fotos estao salpicadas de ponchos plásticos
coloridos. Subi escadas, desci escadas, muita escada há neste local! Vi tudo o
que havia para ver. O Templo do Sol, usado para astronomia com 2 janelas
alinhadas com os pontos onde o sol nasce nos solstícios de verao e inverno, a
Praça Sagrada, o Templo das 3 janelas, o Templo do Condor, a casa do guarda, a
casa do Inca, as llamas e os terraços para agricultura. Nao subi a Huayna Picchu porque sofro de vertigens e
nao é aconselhável a pessoas como eu, a picada tem precipícios e nada onde nos
agarrarmos, e desta vez nem sentar-me no chao ajudaria!
A tarde, depois de carimbar o meu passaporte, voltei a Águas
Calientes - desta vez de autocarro, pois as pernas estavam um pouco bambas de
tanta escadaria! Mas a viagem de autocarro também causou um pouco de stress,
pois a estrada é estreita, para um carro só e quando 2 têem de cruzar, ficam
quase com as rodas fora da estrada!
Em Águas Calientes vi o meu primeiro beija flor desde que
cheguei ao Perú: era lindo e colorido, mas tinha bicho carpinteiro e foi muito
dificil fotografá-lo!
As 6 da tarde apanhei o comboio de volta para Ollanta,
cansada mas feliz e maravilhada pelo que tinha visto.
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