domingo, 2 de dezembro de 2012

Por aqui...por ali..na pura vadiagem!

Desde que deixei Urubamba e comecei a viajar tem sido muito mais difícil actualizar o meu blog de viagem! O tempo mal dá para colocar as fotos no FB. Tentei escrever o blog na minha Galaxy tab mas leva-me tanto tempo que acabo sempre por desistir.

Deixei Urubamba Sábado 17, apos o almoço, que cozinhei e de uma despedida bastante emocional da minha família Peruana e depois de uma noite em Cusco, em que fui a um jantar de despedida com os meus colegas voluntários e principalmente com a minha companheira de casa, Signe, de quem sinto muita saudade, parti rumo a Puno.
Fiz questao de ir num autocarro que para para visitas em certos lugares. Assim, visitei a igreja de Andahuaylillas, as ruínas de Raqchi, La Raya, o ponto mais alto da montanha nessa viagem (4300m) e Pukara.
Puno é uma cidade bonitinha, na margem do Lago Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo. A principal atracçao sao as ilhas Uros, Taquile e Amantani.
As Uros sao ilhas artificiais, feitas com palha flutuante - a base sao blocos de terra com raízes de juncos, que sao "ancorados" ao fundo do lago e por cima vao colocando a palha, camadas sobre camadas. Conforme a palha vai apodrecendo, vai sendo substituida por nova. Assim, acontece-nos às vezes, que o pé se afunde numa parte que está podre. Os habitantes vivem uma vida simples, baseada principalmente no turismo, artesanato e pesca.
Depois dos Uros fui a Taquile. Esta é uma ilha natural, com solo vermelho escuro, que contrasta com o azul do lago. Tem imensos arcos de pedra, e os habitantes vivem na parte alta da ilha, temos de subir 500 degraus para chegar à vila. Adorei esta ilha, bastante fotogénica, mas infelizmente havia algo na lente da minha máquina e eu, pitosga como sou, nao vi, o que tornou as fotos inaproveitáveis. Decidi nao ir a Amantani pois é mais longe, tem de se dormir lá uma noite, uma boa experiência para viver com o povo local. Eu, que já tinha vivido com uma família Peruana, senti que nao precisava.
De Puno segui para Copacabana - nao, nao é a do Rio, é a da Bolívia e nao tem nada a ver. Também fica na margem do lago e a principal atracçao também sao as ilhas; Isla del Sol e Isla de la Luna.
Como já todos leram, a minha estadia aqui nao foi um êxito. Comprei bilhete para ir à Isla del Sol e garantiram-me que teria tempo de ver o templo e as escadarias Incas, mas chegados lá, disseram-nos que tínhamos de estar no barco em 15 minutos - esta ilha também tem muitas escadas e o tempo nao dava para sair da praia. No dia seguinte, o Recenseamento Boliviano obrigou a cidade (e o país) a uma paralizaçao completa! Durante 24 horas, nao houve transportes, os restaurantes e cafés nao abriram e nao se podia sair do hotel - os poucos que tentaram foram ràpidamente recambiados de volta pela polícia, com ameaças de multas avultadas e prisao!
Escusado será dizer que no dia seguinte, parti de Copacabana no primeiro autocarro para La Paz, que nao era um turístico (esses só saem à tarde), mas sim local.
A viagem decorreu tranquila, através de um cenário lindo,até ao momento em que estourou um pneu. Nao percebi bem porque, mas a troca do pneu demorou quase 1 hora.
La Paz, a capital mais alta do mundo, é uma cidade impressionante: encarrapitada nas montanhas que a rodeiam, faz lembrar um pouco o Funchal, mas muito maior, muito mais alta, e com a maioria dos edifícios inacabados mas habitados, como é costume aqui no Perú também. Muito barulhenta, bastante suja, mas cheia de vida. Só fiquei uma tarde, pois queria ir visitar o deserto de sal de Uyuni e descobri que o comboio de Oruro para Uyuni era no dia seguinte à tarde, e se perdesse esse, teria de esperar até domingo. Assim, sexta de manha, apanhei o autocarro para Oruro. A viagem de comboio correu bem e cheguei a Uyuni às 10.30 da noite. No dia seguinte fui reservar o meu tour de 3 dias ao deserto de sal, lagoas, vulcoes e geysers. Escolhi com cuidado a agência, mas nao me serviu de nada, pois descobri mais tarde que as agências trocam turistas entre si. Domingo de manha esperei que me viessem buscar e travei conhecimento com um Espanhol, Javier, que também estava à espera, mas que ia com outra agência (isso pensavamos nós). Finalmente, quando o jeep apareceu, o nosso grupo era constituído por turistas em que só um deles tinha reservado com a companhia que nos levou. Apesar de tudo, o grupo era muito simpático: 1 Angolana/Portuguesa, 1 Espanhol, 2 Suecos, 1 Canadiano e 2 Peruanos - e claro, o guia.
O deserto de sal é impressionante: tudo branco, até onde a vista alcança! E a capa de sal tem uma profundidade de 8 metros. Na estaçao das chuvas tiram-se fotos maravilhosas: a superfície cobre-se de água e torna-se um autêntico espelho, onde tudo se reflecte. No entanto, quando chove muito, o acesso ao deserto fica interdito pois há muitos acidentes! Visitamos o cemitério de trens e a isla del pescado - que nao é ilha nenhuma nem tem peixes! Tem imensos cactos, um deles com 900 anos de idade! Nessa primeira noite ficamos num hotel de sal - tudo feito com sal: as paredes, a base das camas, as mesas, os bancos... Ficamos num dormitorio comum, o que nao esperavamos, visto que nos tinham dito que a primeira noite seria confortavel, em quartos privados, so a segunda e que seria acomodaçao extremamente basica. O grande problema, para mim, foi o WC. Os Bolivianos teem uma obsessao contra fechaduras de todo o tipo. Para grande consternaçao minha, descobri que nao podia fechar a porta. A grande maioria dos vagabundos como eu viaja acompanhado, eles nao tinham problemas, um ficava de guarda enquanto o outro ia à casa de banho. Eu felizmente pratiquei yoga, o que me permitiu segurar a porta com uma mao (ou um pe) bem esticado, enquanto me balançava em equilibrio para acertar na objectiva! Experiencia que nao aconselho a ninguem!
No segundo dia visitamos muitas lagoas e um vulcao ainda activo. As lagoas todas muito bonitas, com cores estranhas, ou das algas ou dos elementos quimicos nelas existentes. Nessa noite dormimos na tal acomodaçao mesmo basica. E era! Nao so dormitorios comuns mas tambem chuveiros comuns! Pensei em evitar o tal chuveiro (com cortina de plastico transparente), mas os caminhos por onde tinhamos andado eram tao poeirentos e sentia-me tao suja, que fui, com alguns do meu grupo, tomar um duche (outros acobardaram-se!) O banho era suposto ser quente, (havia uma senhora a aquecer agua e a dar a bomba) mas ou fervia ou congelava! Nao havia maneira de carregar baterias, e a minha maquina estava a morrer, felizmente o Javier deixou-me carregar no computador dele - gracias Javier! No terceiro dia, acordamos as 4.30. Faziam 10 graus negativos quando chegamos aos geysers, a 5000m de altitude. Para descongelarmos, levaram-nos a umas termas. Depois continuamos ate à fronteira com o Chile, onde deixamos alguns do grupo - Javier, Peter e Ita e finalmente chegamos a Uyuni, às 5 da tarde, muito cansados - as estradas sao mas e dao cabo dos rins! Nessa mesma noite apanhei o autocarro de volta a La Paz onde cheguei de manha.
Tinha pensado em actualizar ate Arequipa mas este conto ja esta comprido demais e nao quero aborrecer ninguem! Continua...