Segunda feira, 5 Novembro às 7 da manha, parti
para Espinar acompanhada de mais 2 voluntárias, Martina (Francesa) e Mariska (Holandesa-Brasileira) e da nossa supervisora de Projects Abroad, Yessika. Como
fomos convidados pelo Municipio de Espinar para fazer este seminário, enviaram
um carro para nos vir buscar. O carro já vinha com 2 pessoas, por isso tivemos de enlatar-nos atrás, resignadas a viajar com muito pouco conforto por 4
horas.
Espinar é uma província ao sul de Cusco. E
supostamente rica, ou seja, o municipio é rico, graças às minas de cobre
existentes na área, mas o povo nem por isso. Vi a mesma miséria que vi em
cusco.
Ficamos alojadas pelo município na casa para
mulheres abandonadas e maltratadas, um edificio novo e moderno, que, ao contrário
da maioria dos edificios novos, parecia acabado. Pura ilusao, demo-nos conta
mais tarde!
Na primeira manha fomos ver a Ludoteca, que
fica no edificio. É um espaço bonito, bem arranjado, com muita luz, cor, música
e imensos brinquedos e recursos para o desenvolvimento das criancas. Gostamos
muito! Só havia 2 crianças nessa manha e brincamos com elas.
À tarde começamos o seminário para
professores. O grupo era grande e foi uma grande vantagem sermos 4! Uma
explicava os jogos para aprender a contar e depois as outras jogavam-nos com um
grupo para termos a certeza que tinham percebido. Uma das voluntárias nao fala
bem espanhol, por isso ela só via o que eles faziam e se fosse preciso explicar
chamava uma de nós. Ao fim dessa primeira tarde choveu torrencialmente. Foi
entao que nos demos conta que o tal edificio que parecia acabado nao era
estanque! Entrava água por todos os lados e a sala onde estávamos depressa
ficou inundada. Fomos para o quarto e as 7, quando a chuva abrandou fomos comer.
Todas as refeiçoes excepto a de terça à noite, em que fomos a uma pizzaria,
foram num restaurante local. A comida nao era má, mas tao pouco era variada.
Sempre a mesma sopa e o mesmo prato...incluindo o pequeno almoco! Felizmente
conseguimos mudar o cardápio para ovos ao matabicho.
Quando voltamos do restaurante, demo-nos conta
que nao podiamos entrar. O guarda havia fechado o portao a cadeado e tinha ido
dormir. Depois de muito bater e abanar o portao de ferro, finalmente
conseguimos acorda-lo! Nessa noite, e na que se seguiu, nao conseguimos dormir.
As janelas nao tinham cortinas e por causa da segurança, as luzes ficam acesas
toda a noite: luzes fluorescentes e amarelas a brilhar nos nossos olhos entrando
pela janela da frente e de trás. De manha, verificamos que apesar das casas de
banho terem esquentadores, estes nao funcionavam, duche gelado tivemos de tomar! E
aqui ainda era mais gelado, Espinar fica a 4000m de altitude! Os dias sao ainda
mais quentes que em Cusco e as noites ainda mais frias!
Nessa manha visitamos 2 Pronoeis, em zonas
bastante pobres. Ficamos impressionadas com o nivel e qualidade do ensino,
considerando a falta de meios; nem lapis de cor tinham! No primeiro Pronoei
fizemos actividades com argila, o que nao foi facil, já que ficamos todas
besuntadas de barro e nao tinhamos água para nos lavarmos! Mas os garotos
adoraram e isso é que é importante e até produziram algumas obras primas! No
segundo, trabalhamos com massa de sal (a imitar plasticina) e tambem foi um
sucesso, com a vantagem de ser mais limpo!
À 1 hora a francesa foi-se embora, pois voltava para França no dia seguinte. À tarde continuamos o
seminário e estavamos todos tao entretidos que acabamos 1 hora mais tarde do
que o harario previa.
No terceiro dia visitamos um Pronoei mais distante. Fizemos máscaras com pratos de papel e pintura com cola, sal e anilina em pó. Os garotos adoraram todas as actividades. No fim, contei-lhes a minha versao de uma história Inglesa muito popular, a lagarta esfomeada (thanks G!) - foi um sucesso!
A tarde também correu bem, mas voltar para Urubamba foi um pesadelo! Ou havia carro, ou afinal nao havia carro...enfim, acabamos por voltar em transporte público. Chegamos a Cusco estoiradas, à meia-noite, já nao havia carro para irmos para casa, dormimos lá e acordamos às 5 da matina para apanhar o autocarro para Urubamba, pois tínhamos de ir trabalhar!
Resumindo, o trabalho com as crianças e o seminário com os professores foram um sucesso, mas a logística foi péssima! Uma experiência que nao vou esquecer tao cedo!