domingo, 18 de novembro de 2012

Espinar


Segunda feira, 5 Novembro às 7 da manha, parti para Espinar acompanhada de mais 2 voluntárias, Martina (Francesa) e Mariska (Holandesa-Brasileira) e da nossa supervisora de Projects Abroad, Yessika. Como fomos convidados pelo Municipio de Espinar para fazer este seminário, enviaram um carro para nos vir buscar. O carro já vinha com 2 pessoas, por isso tivemos de enlatar-nos atrás, resignadas a viajar com muito pouco conforto por 4 horas.
Espinar é uma província ao sul de Cusco. E supostamente rica, ou seja, o municipio é rico, graças às minas de cobre existentes na área, mas o povo nem por isso. Vi a mesma miséria que vi em cusco.
Ficamos alojadas pelo município na casa para mulheres abandonadas e maltratadas, um edificio novo e moderno, que, ao contrário da maioria dos edificios novos, parecia acabado. Pura ilusao, demo-nos conta mais tarde!
Na primeira manha fomos ver a Ludoteca, que fica no edificio. É um espaço bonito, bem arranjado, com muita luz, cor, música e imensos brinquedos e recursos para o desenvolvimento das criancas. Gostamos muito! Só havia 2 crianças nessa manha e brincamos com elas.
À tarde começamos o seminário para professores. O grupo era grande e foi uma grande vantagem sermos 4! Uma explicava os jogos para aprender a contar e depois as outras jogavam-nos com um grupo para termos a certeza que tinham percebido. Uma das voluntárias nao fala bem espanhol, por isso ela só via o que eles faziam e se fosse preciso explicar chamava uma de nós. Ao fim dessa primeira tarde choveu torrencialmente. Foi entao que nos demos conta que o tal edificio que parecia acabado nao era estanque! Entrava água por todos os lados e a sala onde estávamos depressa ficou inundada. Fomos para o quarto e as 7, quando a chuva abrandou fomos comer. Todas as refeiçoes excepto a de terça à noite, em que fomos a uma pizzaria, foram num restaurante local. A comida nao era má, mas tao pouco era variada. Sempre a mesma sopa e o mesmo prato...incluindo o pequeno almoco! Felizmente conseguimos mudar o cardápio para ovos ao matabicho. 
Quando voltamos do restaurante, demo-nos conta que nao podiamos entrar. O guarda havia fechado o portao a cadeado e tinha ido dormir. Depois de muito bater e abanar o portao de ferro, finalmente conseguimos acorda-lo! Nessa noite, e na que se seguiu, nao conseguimos dormir. As janelas nao tinham cortinas e por causa da segurança, as luzes ficam acesas toda a noite: luzes fluorescentes e amarelas a brilhar nos nossos olhos entrando pela janela da frente e de trás. De manha, verificamos que apesar das casas de banho terem esquentadores, estes nao funcionavam, duche gelado tivemos de tomar! E aqui ainda era mais gelado, Espinar fica a 4000m de altitude! Os dias sao ainda mais quentes que em Cusco e as noites ainda mais frias!
Nessa manha visitamos 2 Pronoeis, em zonas bastante pobres. Ficamos impressionadas com o nivel e qualidade do ensino, considerando a falta de meios; nem lapis de cor tinham! No primeiro Pronoei fizemos actividades com argila, o que nao foi facil, já que ficamos todas besuntadas de barro e nao tinhamos água para nos lavarmos! Mas os garotos adoraram e isso é que é importante e até produziram algumas obras primas! No segundo, trabalhamos com massa de sal (a imitar plasticina) e tambem foi um sucesso, com a vantagem de ser mais limpo!
À 1 hora a francesa foi-se embora, pois voltava para França no dia seguinte. À tarde continuamos o seminário e estavamos todos tao entretidos que acabamos 1 hora mais tarde do que o harario previa.
No terceiro dia visitamos um Pronoei mais distante. Fizemos máscaras com pratos de papel e pintura com cola, sal e anilina em pó. Os garotos adoraram todas as actividades. No fim, contei-lhes a minha versao de uma história Inglesa muito popular, a lagarta esfomeada (thanks G!) - foi um sucesso!
A tarde também correu bem, mas voltar para Urubamba foi um pesadelo! Ou havia carro, ou afinal nao havia carro...enfim, acabamos por voltar em transporte público. Chegamos a Cusco estoiradas, à meia-noite, já nao havia carro para irmos para casa, dormimos lá e acordamos às 5 da matina para apanhar o autocarro para Urubamba, pois tínhamos de ir trabalhar!
Resumindo, o trabalho com as crianças e o seminário com os professores foram um sucesso, mas a logística foi péssima! Uma experiência que nao vou esquecer tao cedo! 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Machu Picchu


Ao fim de quase 2 meses da minha estadia no Perú, visitei finalmente MP! Vontade nao me faltava, e curiosidade também nao, mas fui adiando, adiando...Vou tentar descrever aqui a minha visita, mas nao há palavras nem fotos que possam verdadeiramente dar-vos uma ideia da magnificência deste lugar!

Saí de Urubamba na sexta 2 Novembro e apanhei o colectivo para Ollanta. A estaçao fica um pouco fora da cidade, mas é bonitinha e tem um bom café onde esperei pelo combóio. É lindo, azul com letras amarelas PERU RAIL. A viagem em si é fascinante - passamos entre as montanhas, à beira rio e é interessante verificar a mudança da vegetaçao, de escassa como é comum na altitude, a luxuriante (cloud forest = floresta nublada, floresta de nevoeiro ou floresta de altitude).
Depois de 1 hora e meia chegamos a Águas Calientes, também conhecida por MP Pueblo. O nome de Águas Calientes deriva, como devem imaginar, de uns banhos termais que existem na cidade. A particularidade desta cidade é o facto de nao haver carros a circular, isto porque nao há estrada até lá. É uma cidade completamente isolada. O único trânsito é o dos mini autocarros, que foram levados até lá de combóio e que transportam os turistas para e de MP. Esta cidade é como um cartao postal, mas infelizmente, por ser muito turística, é muito cara, uma garrafa de água custa 4 vezes mais que em Urubamba, e no café à entrada de MP é 8 vezes mais cara!
Sábado 3 Novembro acordei as 3.45. As 4.30 estava a caminho do portao de entrada para pedestres, que dista cerca de 1km da cidade. Quando lá cheguei, o portao ainda estava fechado, mas já havia bicha para entrar. O portao abre mais cedo do que a ponte para os autocarros, para dar a oportunidade aos que sobem pelas escadas de chegar lá acima mais ou menos ao mesmo tempo que os preguiçosos que sobem de carro. Ainda estava um pouco escuro quando comecei a subir, mas aqui amanhece rápidamente. Sao quase 2000 degraus, e a altitude torna o exercício muito mais difícil. Mentiria se dissesse que foi fácil; nao foi, nem para mim nem para os outros, muito mais novos que eu, que encontrei no caminho. Houve muitas paragens para retomar o fôlego, mas cheguei lá acima!
A primeira vista que tive do local tirou-me o pouco fôlego que me restava: as ruinas, com o Huayna Picchu atrás envolvido em nuvens! É um local absolutamente fascinante e misterioso também, e as nuvens e a chuva que caía ajudavam a criar o ambiente. Choveu quase toda a manha, embora com algumas abertas, e por esse motivo, as fotos estao salpicadas de ponchos plásticos coloridos. Subi escadas, desci escadas, muita escada há neste local! Vi tudo o que havia para ver. O Templo do Sol, usado para astronomia com 2 janelas alinhadas com os pontos onde o sol nasce nos solstícios de verao e inverno, a Praça Sagrada, o Templo das 3 janelas, o Templo do Condor, a casa do guarda, a casa do Inca, as llamas e os terraços para agricultura. Nao subi a Huayna Picchu porque sofro de vertigens e nao é aconselhável a pessoas como eu, a picada tem precipícios e nada onde nos agarrarmos, e desta vez nem sentar-me no chao ajudaria!
A tarde, depois de carimbar o meu passaporte, voltei a Águas Calientes - desta vez de autocarro, pois as pernas estavam um pouco bambas de tanta escadaria! Mas a viagem de autocarro também causou um pouco de stress, pois a estrada é estreita, para um carro só e quando 2 têem de cruzar, ficam quase com as rodas fora da estrada!
Em Águas Calientes vi o meu primeiro beija flor desde que cheguei ao Perú: era lindo e colorido, mas tinha bicho carpinteiro e foi muito dificil fotografá-lo!
As 6 da tarde apanhei o comboio de volta para Ollanta, cansada mas feliz e maravilhada pelo que tinha visto.