terça-feira, 25 de setembro de 2012

Peruvian Tales

Após quase 24 h de voo, cheguei a Cusco! A altitude (3400m) dá-nos de imediato um murro no estomago! Os pes ficam pesados como chumbo, cada passo exigindo um esforco sobrehumano, a respiracao sempre ofegante! Depois foi a viagem para casa, ja que a minha base nao é Cusco! A estrada cheia de curvas e precipícios e um motorista com pretensoes a tornar-se no próximo Lewis Hamilton, deveriam ter-me feito entrar em panico. No entanto, a terapia que fiz antes de vir pareceu resultar, e embora ainda sinta medo, consegui, com exito, esquecer a estrada e admirar o panorama. A minha cidade está a 2.900m de altitude e embora ainda se sintam os efeitos, ha mais possibilidade de escapar ao mal de altitude.
Esta cidade faz-me lembrar Cuba, um pouco, mas faz-me regressar a Luanda de 1984! Os mesmos prédios a necessitar desesperadamente de reparacoes, o calor, a poeira, as mulheres com os filhos amarrados as costas......e a falta de água! Estava a tentar relembrar a minha técnica do banho de caneca, que tinha conseguido aperfeicoar tao bem, quando reparei que ao contrário do que fazíamos em Luanda, os Peruanos nao guardam água para quando falta! O resultado é que nao se pode usar a casa de banho quando nao há água! Devo confessar que este problema é o que me tem incomodado mais. Nao sou flor de estufa e tanto posso viver com conforto como sem ele, mas sem água....Os chuveiros, quando há água, sao gelados, já que embora a temperatura diurna seja bastante alta, ainda estamos no Inverno e à noite, fazem temperaturas negativas! E embora exista um interruptor que supostamente se liga para aquecer a água, parece tao perigoso, com fios electricos amarrados à cabeca do chuveiro, que prefiro nao usar. De qualquer modo, ja me avisaram que a tal geringonca nao aquece nada, por isso...
Trabalho num PRONOEI. Estes sao centros para criancas necessitadas dos 3 aos 5 anos. Os garotos sao amorosos, chamam-me florcita, o que nao quer dizer que de vez em quando nao me depare com problemas de atitude. Temos tambem criancas com necessidades especiais. Todos os dias, tomo um colectivo para ir para o trabalho. Colectivos sao carrinhas em variados estados de degradacao - há dias, caiu a porta a um! O colectivo deixa-me na estrada e depois tenho de caminhar 15 minutos num caminho poeirento para chegar ao trabalho. Vou trabalhar aqui 2 semanas, depois vou para outro PRONOEI mais longe. Todos os dias colocarei a minha vida 2 vezes por dia, nas maos de um fangio na tal estrade de montanha!
A comida, em casa da "minha familia Peruana" é boa, mas o pessoal aqui come que é um disparate! Até os meus garotos de 3 anos comem mais que eu! Há sempre sopa, com legumes, pasta e batatas e depois um prato com legumes, arroz e batatas! E enchem os pratos que é um disparate! A outra voluntária que vive comigo está a fazer dieta porque engordou desde que chegou, há um mes! Eu emagreci, porque só tomo a sopa, que é bem nutritiva e suficiente, e bebo tanto que nao tenho fome! À parte uma dor de cabeca na primeira noite, que suspeito ter sido devida a jetlag, a falta de cafe e ao facto de nao ter conseguido dormir nos voos, aclimatizei-me bem, mas sinto-me permanentemente cansada! Para a semana será melhor!
Ontem fui ao mercado de Pisac, um mercado artesanal numa cidade perto daqui. OHHH!!! O colorido era absolutamente maravilhoso! Queria comprar tudo! A viagem de regresso foi malita, num colectivo que levava 200% da capacidade!
Os outros voluntários acolheram-me muito bem, apesar da grande diferenca de idade - acham que sou muito "cool" em querer fazer isto "na minha idade"!
Nao importa quantos adjectivos use, nao poderei descrever a magnificencia deste lugar! Aqui a natureza faz-nos sentir que realmente somos apenas um graozito de areia neste universo!

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